Monthly Archives: fevereiro 2015

Pesos, medidas e valores: um passeio pelo mercado.

A ágora era a área onde as negociações diárias aconteciam e, para que a prática mercantil pudesse ser uma realidade previsível e justa, um sistema de pesos, medidas e valores foi inventado.

agora

Era na ágora que toda a vida comercial, cultural e política acontecia. Era nesse lugar que os cidadãos cuidavam da maior parte dos negócios da pólis.

 

As medidas de comprimento eram:

  • 1 stage = 160 stadia = 29.184 metros
  • 1 dolichos = 12 stadia = 2.188,8 metros
  • 1 hippikon = 4 stadia = 729,6 metros
  • 1 stadion = 600 podes = 182,4 metros
  • 1 plethron = 100 podes = 30,4 metros
  • 1 kalamas = 10 podes = 3,04 metros
  • 1 pous = 16 daktyloi = 304 mm (aproximadamente)
  • 1 daktylos = 19 mm (aproximadamente)

As medidas de área eram:

  • 1 plethron = 10.000 podes = 950 m²
  • 1 aroura = 2.500 podes = 237,5 m²
  • 1 akaina = 100 podes = 9,5 m²
  • 1 hexapodes = 36 podes = 3,42 m²
  • 1 pous = 0,095 m²

As medidas de volume eram:

  • 1 medimnos = 48 choinixes = 192 kotylai = 54,7 litros (aproximadamente)
  • 1 metretes = 12 choes = 40,1 litros (aproximadamente)
  • 1 chous = 12 kotylai = 3,4 litros (aproximadamente)
  • 1 choinix = 4 kotylai = 1,1 litro (aproximadamente) – essa medida era usada como padrão para a alimentação de um homem por dia
  • 1 kotyle = 285ml

As medidas financeiras eram:

  • 8 chalkoi (chalkous = moedas de cobre/bronze) = 1 obol (pesava algo em torno de 0,72 g de prata)
  • 1 drachma = 6 oboloi (pesava algo em torno de 4,32 g de prata)
  • 1 didrachma = 2 drachmas (moeda única e que pesava algo em torno de 8,64 g de prata)
  • 1 tetradrachma = 4 drachmas (moeda única e que pesava algo em torno de 17,28 g de prata)
  • 1 dekadrachma = 10 drachmas (moeda única e que pesava algo em torno de 43,20 g de prata)
  • 1 moeda de ouro (não eram de uso comum, não encontrei sua denominação em grego) = 24 drachmas (fiz uma média entre as duas moedas de ouro mais valiosas, respectivamente a Persa (20 drachmas) e a de Cyzicos (28 drachmas))
  • 1 mina = 100 drachmae (pesava em torno de 432 g de prata)
  • 1 talanton (ou talento – aquele mesmo da parábola Bíblica) = 60 minae (pesava algo em torno de 25,92 Kg de prata)
tetradrachm

Didrachma Ateniense e suas duas faces.

 

Havendo um sistema de pesos e medidas e valores, a existência de fiscais era um fato e tais funções eram desempenhadas por cidadãos, vez que isso era administrar parte dos negócios da pólis. Os fiscais (porque poderiam ser vários; afinal, quanto maior o comércio maior sua necessidade) do mercado (agoranomos) eram responsáveis por:

  • fiscalização de preços cobrados por produtos considerados essenciais (observavam a cobrança dentro de uma justa-medida);
  • fiscalização da pureza das moedas que circulavam na praça comercial (a falsificação de moeda não consistia em criar uma moeda de prata pura e sim em adicionar metais não preciosos (em geral chumbo) à composição da nova moeda)*;
  • fiscalização do pagamento dos impostos cobrados sobre a circulação de alguns produtos específicos (em geral o trigo recebia taxação, talvez um modo de estimular produção de cevada – a qual era menos nutritiva, porém era mais resistente e produzia, em média, o triplo);
  • provavelmente fiscalizavam as condições de saúde de animais e escravos comercializados na ágora, bem como as condições sanitárias dos alimentos comercializados, visando impedir a ocorrência de peste entre a população;
  • fiscalizar as condições dos armazéns de guerra e seu abastecimento (era importante ter alimento armazenado para o caso de entrar em guerra e ter de resistir a um possível cerco)

Essas eram algumas das atribuições mais comuns, contudo cada pólis poderia perfeitamente aumentar ou reduzir o número de trabalhos que cada um poderia ou não desempenhar. Uma possibilidade seria realizar a venda de bens postos em leilão para saldar dívidas, outra seria o registro de contratos de grande vulto entre cidadãos e que poderiam ser alvo de interesse da pólis.

Enfim, tais atribuições eram delegadas pela pólis por meio das leis que os cidadãos formulavam; portanto, cada pólis poderia ter uma forma diferente de administrar seus negócios conforme seus interesses políticos e militares, bem como das particularidades da região que habitavam.

Nota: não coloquei todas as medidas para cada tipo porque elas são em grande número, então me ative às mais utilizadas.

*O ato de morder a moeda tem origem nessas fiscalizações porque o chumbo é metal mole e sua grande quantidade poderia ser evidenciada se fosse possível entortar a moeda por meio de uma simples mordida, além desse método existia a possibilidade de averiguar a densidade dos materiais por meio do princípio de Arquimedes.

Alegoria sobre a movimentação moral das ações

A ética das ações é o ponto de maior atenção no sistema Phantasia RPG. O foco nas aventuras reside, sem dúvida alguma, na realização de feitos heroicos, contudo sem deixar de lado o fator dramático envolvido nos resultados decorrentes das ações tomadas pelas personagens durante a resolução de dilemas apresentados pelo narrador no decurso da historia.

biga

A alegoria do condutor deixa clara a importância de fortalecer nossas virtudes como forma de manter nossas vidas em um caminho bom e sadio.

O método de exposição sobre como subsistema para anotação da evolução do fortalecimento ou corrupção das virtudes das personagens é inspirado na alegoria proposta em “A república”. Nessa obra clássica a alegoria é representada da seguinte forma: existe o condutor (personagem) que guia sua biga, a qual é puxada por dois cavalos, sendo um deles branco e disciplinado (virtude) e o outro preto e indisciplinado (desejo) e, a todo tempo, o cavalo negro tenta puxar a carruagem para fora do caminho ideal (busca da vida sã/vida feliz/eudaimonia), ao passo que o cavalo branco busca trazer a biga de volta.

Durante toda a viagem os dois cavalos disputam força entre si e o condutor precisa se fazer presente para que a biga não tombe ante a confusão gerada pelas bruscas mudanças de rota promovidas pelo desentendimento entre os cavalos. O condutor, na maior parte das vezes, exerce poder final sobre qual o curso a ser tomado.

Em alguns momentos o condutor castiga o cavalo negro para que seu ímpeto seja reduzido e, assim, o cavalo branco consiga forçar o retorno ao caminho; o condutor igualmente pode mandar que o cavalo branco ceda ao desvio pretendido pelo cavalo negro, contudo o momento mais dramático é quando o desvio pretendido pelo cavalo negro não é desejado pelo condutor e ele, junto com o cavalo branco, travam forte disputa de forças.

É nesse último momento que se encontram os dilemas e a luta interna para resistir ao desejo capaz de corromper as virtudes da personagem. É aqui o momento em que, apesar de todo o esforço do condutor, sua força unida à do cavalo branco não se mostra suficiente para conter o ímpeto do cavalo negro e a carruagem acaba por tomar caminho diverso do ideal.

biga

O condutor nem sempre consegue conter o ímpeto do cavalo negro devido à fraqueza apresentada pelo cavalo branco. Fortalecer nossas virtudes é fundamental para que tenhamos uma vida sadia e feliz.

 

De mesma forma é adequado dizer que estando o cavalo branco forte e sadio, na maior parte das vezes, o condutor não precisará realizar grande esforço para manter a carruagem no caminho ideal, visto ser o cavalo branco suficiente para manter a ordem na condução da carruagem.

Entretanto, no decurso do caminho as situações de dilema tornam o cavalo negro mais forte ou tornam o cavalo branco mais fraco? Ou seria até mesmo de se questionar se não há a possibilidade de que ambas as situações ocorram ao mesmo tempo. Seria isso possível? Evidente que sim.

A força do cavalo negro procede diretamente de fatores externos que lhe façam aumentar seu ímpeto e indiretamente da fraqueza do cavalo branco. Manter o cavalo branco forte e sadio, portanto, é vital para que a carruagem não se perca de seu caminho ideal – vez que os vícios que o mundo oferece (e que fortalecem o ímpeto do cavalo negro) são muitos. Com efeito que há a influência de fatores externos que fortaleçam o cavalo branco, contudo são em menor número e, por isso, devem ser valorizados quando encontrados.

Convém agora questionar o seguinte: o quê é mais complicado de resolver: a exposição aos fatores que fortalecem o ímpeto do cavalo negro ou fortalecer o cavalo branco?

Em meu entendimento, a segunda opção é mais complicada, pois podemos nos por fora da exposição de ambientes ou companhias viciosas mais rapidamente do que fortalecermos nossas virtudes. Desse modo, para que possamos ter a chance de voltar a perfilhar o caminho ideal, primeiro é preciso mudar hábitos viciosos para, só depois, conseguir mais facilmente fortalecer nossas virtudes.

É possível e adequado fazer uma correlação com uma passagem das aventuras vividas por Ulisses.

Ulisses dá o exemplo de quão difícil é resistir às tentações que se apresentam em nosso caminho; inicialmente como algo bom, mas que depois se mostra como algo capaz de trazer destino infeliz não só para nós mesmos, mas para todos aqueles que nos acompanham. Nessa situação Ulisses teve de ser amarrado e seus marinheiros ter os ouvidos tapados para não cederem aos encantos das sereias, pois tinha a missão de dizer quando já era seguro parar de remar por já terem passado das águas habitadas por essas criaturas sedutoras e fatais.

canto das sereias

A passagem de Ulisses pelo mar das sereias é uma demonstração clara de como pode ser complicado resistir às tentações e dilemas que se põem em nosso caminho.

 

A alegoria de Ulisses deixa bem claro o seguinte: as tentações não se apresentam como algo ruim e sim como algo bom e encantador; não fosse assim, ninguém cederia à elas justamente por se apresentarem como algo visivelmente nocivo e ruim. Os vícios que corroem nossas virtudes, portanto, em princípio, se apresentam como coisas agradáveis e inofensivas e capazes de persuadir aos que tenham olho desatentos, seja por falha de julgamento decorrente de ingenuidade ou inexperiência, para os perigos que podem trazer.

Essa alegoria rende ainda muito assunto, contudo acredito que o conteúdo exposto até agora seja mais que suficiente para fomentar muitos questionamentos e discussões, tanto dentro como fora da mesa de jogo. Os dilemas são infindáveis e, enquanto a Humanidade exista, sempre haverão dilemas e questionamentos de ordem moral a serem respondidos.

E você, qual sua opinião sobre o assunto? Acha que pode render algo bom nas campanhas? Deixe sua opinião nos comentários e vamos todos trocar ideias e construir, assim, um conhecimento melhor sobre o tema.

Aviso! Exposição de produção de jogadores e narradores!

Aos jogadores e narradores será concedido espaço para conhecer e promover a produção criativa independente.

Toda produção dos jogadores e narradores (aventuras, personagens, locais etc.) poderá ser publicada no website. Para isso, basta enviar sua produção no email andreneves@phantasiarpg.com.br para receber análise antes de ser apresentada.

Conto com a participação de todos!

Produção do jogador: conto com considerações sobre magia

Conto sobre aspecto relacionado à magia

A batalha fora sangrenta. Daqui, do meio do caminho pedregoso que leva até o templo, no alto da montanha, vejo o campo de batalha, com os infindáveis corpos mortos tanto de amigos e companheiros como de inimigos. Com meu irmão nos meus braços, não tenho certeza se me importo quem ganhou a batalha.
Pensando bem, se tivéssemos perdido, talvez eu não tivesse a chance de tentar salvá-lo, como estou tendo agora. Alguns abutres cansaram de esperar os deuses carregarem os espíritos daqueles cuja hora havia chegado e já puseram-se no trabalho de carregar os corpos.
Por força do hábito, carrego minha espada e meu escudo atados às costas, tenho agora um corte que me queima a perna esquerda enquanto subo, e o corpo de meu irmão, quase inerte, é o menor dos pesos que carrego, apesar do couro e metal da sua armadura.
A subida não é tão íngreme quanto poderia, mas o caminho é tortuoso, longo, e há uma certa fila de soldados carregando seus entes queridos, caídos em batalha, para que os deuses os salvem das garras da morte.
O sol queima meus braços e meu pescoço, quando finalmente atinjo a entrada do templo, com seu calçamento de pedras e jardins, tão bem cuidados quanto os deuses permitem. Este não é um local apenas de oração, mas um local de magia, também, e é possível sentir a magia até mesmo no ar, ao se atingir este local, mesmo eu não sendo um adepto destas feitiçarias.
Os sacerdotes e magos e os aprendizes estão organizando os feridos, e logo meu irmão é recebido e me é indicado uma liteira onde posso colocá-lo, numa área coberta por pequenas tendas abertas que oferecem uma pequena, mas bem vinda proteção contra o sol forte. Uma breve oração e ele já começa a recuperar os sentidos, um leve gemido de dor quando o acomodo melhor na liteira.
Os minutos passam e começo a ficar impaciente, mas então os magos e os sacerdotes vêm e levam meu irmão para dentro do templo, indicando-me que eu poderia acompanhá-lo. Uma vez lá dentro, eles o levam até uma sala com muito incenso, chamas sagradas ardendo nos quatro cantos da sala amarelada pela luz emitida, mas que pode-se ver ser bem acabada, com paredes lisas e sem rachaduras. Mais algumas orações, cânticos e palavras mágicas em palavras antigas que desconheço, enquanto o untam com óleos e folhas sagrados, atando a pele que pendia de seu tronco novamente para junto de seu corpo.
Sou levado até a uma outra sala, onde me indicam que eles haviam feito poderosas magias de cura e que, agora, meu irmão estava nas mãos de deus.
– Vá para sua casa e volte em um mês, e seu irmão estará novamente com sua saúde restaurada. Os deuses estarão ocupados, tratando de curar estes feridos e encaminhando as almas dos mortos em batalha para seu lugar de descanso.
E foi o que fiz. Um mês depois, ao retornar, vejo meu irmão ajudando no cultivo das ervas místicas do templo, uma leve cicatriz onde antes pendia uma enorme língua de carne. De acordo com o costume, deixo uma cabra como oferenda aos deuses pela cura de meu irmão e podemos voltar para casa, onde nossos pais, nossas esposas e filhos nos esperam.

Lélio Falcão

lelio.falcao@gmail.com

Fundamentação da magia para o cenário, segundo o autor do texto: Aqui, eu levo em conta que não há magia ou ela é muito limitada. Toda a “magia” descrita é apenas baseada na percepção do personagem que narra a história, depois de acreditar em tudo isto e presenciar o ritual de cura, cheio de “ervas boas da paz”.

Hall da fama

Aqui vão o nome de jogadores que contribuíram para o desenvolvimento do livro.

Por motivos de privacidade apenas seus apelidos serão apresentados (à exceção dos que permitam a exposição de seus nomes reais).

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Daniel (“Meu personagem vai se chamar Jorge Jabuti, hehehe.”)

Dr. Leozão (Curando gente gravemente ferida com urinoterapia… (Só você cara!))

Elfo (“Aí eu faço ‘assim, assim e assado’… não, não, não… espera! Vou fazer de outro jeito… É assim! Ah cara, por quê eu fiz isso??? Nãããooo!”)

Fefo (Quase morreu pela tromba de Fanto, o ladrão elefante!)

Flavinho (“Agora que o canhão está na ribanceira a gente dispara para acertar o pessoal que está em cima… Fogo!” Cara, você devia ter tirado as rodinhas antes de atirar, agora o canhão foi parar no mar…)

Gui (Lumberjack and Repolho’s brother)

Guilherme (“De graça até ônibus errado!”)

Gugu (“Sabe o quê acontece quando come muito ovo? Passa mal!”)

Gugu Garcia (Criou o plano que derrotou Fanto, o ladrão elefante! (RIP – saudades amigo.))

Herby (“Cara, nunca tinha começado uma aventura de forma tão conturbada assim!”)

Kellen (“Porque falar demais pode se mostrar um erro.”)

Lélio (“Monarquia parlamentarista já!”)

Leo, fiote (“Eu tenho uma flecha da edição Ari Toledo, muito boa, pode confiar!”)

Manga (“Cara, eu vi um monte de defeito e problema nessas regras… não sei como resolver, mas só de apontar já ajuda.” (De fato ajudou mesmo))

MaTT Monstro (“Cara, eu parei de jogar RPG. Então não dá mais para continuar sendo seu capanga…”)

Mr. Giordani (“Nem que seja para dar uma viajada de disco voador.” (Essa “trollada” foi épica!))

Mr. Phil (Blogueiro zoeiro e autor de jogos de terror)

Mr. Rocha (Aplicando RPG e pedagogia de maneira eficaz)

Pardalus, o persa (“Rápido escravos, rápido!”)

Pardawan, o jedi (“Silêncio! […] Quer saber? Se matem vocês aí…” (Estilo Gandalf, mas sem a autoridade do mesmo, enquanto seus irmãos (personagens de jogo) discutiam acaloradamente e começavam uma briga para decidir qual divindade seria cultuada na ilha em que estavam.))

Salim (“Cara, esse resultado tem de sair senão já era…” (“Torrando” quase toda a energia da personagem para garantir sucesso))

Shin (Ranger das praias!)

Sr. Aleixo (Altos papos sobre RPG; filosofia e política.)

Espaço Ética – Escola de Filosofia

Há alguns dias conversava com meu tio e ele me recomendou acessar o website Espaço Ética do professor Clóvis de Barros Filho, o qual descobriu depois que lhe presentei com o livro A Filosofia Explica as Grandes Questões da Humanidade.

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Segundo Sêneca presentear com um livro é não apenas um gesto nobre como é, também, elogioso! Dê (e peça) livros de presente!

 

Existe lá grande acervo e várias aulas e cursos. Há a cobrança para acesso a material extra (valor que considero simbólico – R$ 15,00/mês), porém há também aulas gratuitas e é oferecido acesso, igualmente gratuito, à biblioteca aos que não desejam pagar por esse conteúdo adicional.

Vale a pena conhecer esse espaço. Espero que, assim como eu, também gostem.

 

As potencialidades do RPG na educação escolar – Trabalho acadêmico

Passeando pela internet encontro essa dissertação acadêmica sobre RPG. O trabalho foi desenvolvido em 2008 por Rafael Carneiro Vasques com o objetivo de obter título de Mestre em Educação Escolar pela UNESP.

Li rapidamente seu conteúdo e considerei as informações interessantes de maneira geral. Dessa forma, exponho-o aqui para conhecimento de outros jogadores e narradores.

Espero que gostem.

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Polidamas de Escotusa (Polydamas of Skotoussa) – campeão olímpico

Polidamas foi, segundo relatos de historiadores de sua época, “o maior homem de seu tempo” e foi campeão olímpico em 408 a.C.; sua fama era conhecida e, inclusive, tem seu nome citado na obra A República. Entretanto,embora tenha sido campeão olímpico apenas uma vez (perdeu seu título em 404 a.C.), fez grande fama com outros feitos que marcaram a historia de seu povo (era originário da cidade de Escotusa) e que trouxeram grande orgulho aos Helenos em geral.

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Polidamas.

 

Entre os feitos que lhe renderam fama através dos tempos estão a vitória nos jogos olímpicos de 408 a.C. como lutador de pancrácio (obviamente, afinal esse não é um feito simples de se obter); ter, com suas mãos nuas, sufocado um leão aos pés do Monte Olimpo; ter também parado, apenas com seu corpo e vigor, uma carruagem a pleno galope; ter dominado um touro furioso apenas com suas mãos; *ter vencido 100 Imortais Persas, a convite de Dário II, sendo que, após ter matado facilmente o primeiro desafiante, combateu os demais 99 de 3 em 3.

Todos esses feitos garantiram grande fama a Polidamas, contudo, seu fim foi o que o imortalizou. Em um dia quente de verão Polidamas e alguns amigos celebravam mais uma vitória bebendo vinho e conversando em uma gruta; contudo, o local sofreu com tremores e o teto da gruta começou a ceder e, para que seus amigos pudessem se salvar, Polidamas segurou o teto por tempo suficiente para que todos pudessem sair da gruta e, quando o último deles conseguiu escapar, o campeão encontrou seu fim.

*O local de sua morte foi marcado com uma estátua e passou a ser honrada pela visita de atletas, na sua maior parte formada lutadores de pancrácio, que buscavam inspiração e favorecimento divino, bem como o solo ao redor foi considerado sagrado.

Nota: As duas citações contendo “*” foram um pouco romantizadas por mim. Explico. O confronto contra os Imortais Persas é real, contudo a quantidade de homens não fica clara nos relatos, sendo dito apenas que Polidamas enfrentou e venceu vários deles lutando contra 3 por vez. A forma como encontrou seu fim igualmente é procedente e os campeões olímpicos recebiam veneração e culto caso atingissem grande fama; dessa forma, não é de se duvidar que o local pudesse ter sido consagrado à memória dele e recebido visitas de pessoas que o admiravam e buscavam obter seu favor divino.

Apotheon – game

Comprei um jogo para PC chamado Apotheon, o qual é inspirado na cultura Helênica e que valeu a pena o tempo e dinheiro investidos.

Sua estrutura de jogo é bem simples, contudo bastante eficaz. Seus gráficos imitam o design próprio das figuras existentes em cerâmicas feitas pelos Helenos.

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Apresenta várias citações de obras do período tratando sobre a relação entre deuses e homens; tem um nível de desafio interessante, além de apresentar aventuras fora da linha principal (o desafio de Dionísio é quase impossível de fazer, ainda não consegui).

“Zerei” o jogo e achei muito bom. Gráficos competentes e fiéis, além de uma dinâmica de jogo intuitiva e desembaraçada. Garante um tempo bom e com desafio interessante. Sistema de combate igualmente interessante.

Aos interessados, há a possibilidade de comprar pela Steam ou no website http://www.apotheongame.com/

Vale a pena conferir!

Ps.: Como último comentário gostaria de dizer que a visão do templo onde ocorre o desafio de Ares é perturbadora: no templo do deus da guerra vários guerreiros aparecem, incessantemente, para se matar (e te matar também) apenas objetivando derramar sangue, pura e simplesmente, até formar, literalmente, rios de sangue!

Esculturas gregas eram coloridas!

Sim, por incrível que pareça, estudos revelam que as esculturas do mundo antigo eram bastante coloridas (vale lembrar que o uso de coloração era algo custoso e, portanto, caro e, consequentemente, indicativo de riqueza).

Nossa imagem mental das esculturas é basicamente essa:

escultura1

Entretanto, os estudos revelam que as esculturas seriam, na verdade, assim:

esculturapintada1

Fiquei surpreso quando soube dessa descoberta, contudo confesso que negar a possibilidade de que os antigos jamais tivessem dado cor às suas criações chega a ser ingenuidade. Afinal, se coloriam tecidos e afrescos, por que não imaginar a possibilidade de terem colorido suas esculturas?

Essa, sem dúvida, é uma descoberta interessante e que muda a forma de imaginar a arte feita pelos povos antigos.