Produção do jogador: conto com considerações sobre magia

By | 18 de fevereiro de 2015

Conto sobre aspecto relacionado à magia

A batalha fora sangrenta. Daqui, do meio do caminho pedregoso que leva até o templo, no alto da montanha, vejo o campo de batalha, com os infindáveis corpos mortos tanto de amigos e companheiros como de inimigos. Com meu irmão nos meus braços, não tenho certeza se me importo quem ganhou a batalha.
Pensando bem, se tivéssemos perdido, talvez eu não tivesse a chance de tentar salvá-lo, como estou tendo agora. Alguns abutres cansaram de esperar os deuses carregarem os espíritos daqueles cuja hora havia chegado e já puseram-se no trabalho de carregar os corpos.
Por força do hábito, carrego minha espada e meu escudo atados às costas, tenho agora um corte que me queima a perna esquerda enquanto subo, e o corpo de meu irmão, quase inerte, é o menor dos pesos que carrego, apesar do couro e metal da sua armadura.
A subida não é tão íngreme quanto poderia, mas o caminho é tortuoso, longo, e há uma certa fila de soldados carregando seus entes queridos, caídos em batalha, para que os deuses os salvem das garras da morte.
O sol queima meus braços e meu pescoço, quando finalmente atinjo a entrada do templo, com seu calçamento de pedras e jardins, tão bem cuidados quanto os deuses permitem. Este não é um local apenas de oração, mas um local de magia, também, e é possível sentir a magia até mesmo no ar, ao se atingir este local, mesmo eu não sendo um adepto destas feitiçarias.
Os sacerdotes e magos e os aprendizes estão organizando os feridos, e logo meu irmão é recebido e me é indicado uma liteira onde posso colocá-lo, numa área coberta por pequenas tendas abertas que oferecem uma pequena, mas bem vinda proteção contra o sol forte. Uma breve oração e ele já começa a recuperar os sentidos, um leve gemido de dor quando o acomodo melhor na liteira.
Os minutos passam e começo a ficar impaciente, mas então os magos e os sacerdotes vêm e levam meu irmão para dentro do templo, indicando-me que eu poderia acompanhá-lo. Uma vez lá dentro, eles o levam até uma sala com muito incenso, chamas sagradas ardendo nos quatro cantos da sala amarelada pela luz emitida, mas que pode-se ver ser bem acabada, com paredes lisas e sem rachaduras. Mais algumas orações, cânticos e palavras mágicas em palavras antigas que desconheço, enquanto o untam com óleos e folhas sagrados, atando a pele que pendia de seu tronco novamente para junto de seu corpo.
Sou levado até a uma outra sala, onde me indicam que eles haviam feito poderosas magias de cura e que, agora, meu irmão estava nas mãos de deus.
– Vá para sua casa e volte em um mês, e seu irmão estará novamente com sua saúde restaurada. Os deuses estarão ocupados, tratando de curar estes feridos e encaminhando as almas dos mortos em batalha para seu lugar de descanso.
E foi o que fiz. Um mês depois, ao retornar, vejo meu irmão ajudando no cultivo das ervas místicas do templo, uma leve cicatriz onde antes pendia uma enorme língua de carne. De acordo com o costume, deixo uma cabra como oferenda aos deuses pela cura de meu irmão e podemos voltar para casa, onde nossos pais, nossas esposas e filhos nos esperam.

Lélio Falcão

lelio.falcao@gmail.com

Fundamentação da magia para o cenário, segundo o autor do texto: Aqui, eu levo em conta que não há magia ou ela é muito limitada. Toda a “magia” descrita é apenas baseada na percepção do personagem que narra a história, depois de acreditar em tudo isto e presenciar o ritual de cura, cheio de “ervas boas da paz”.

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